sábado, 19 de abril de 2014

Um amigo da minha mulher, que agora é nosso, vai casar. Dei por mim a falar com ele, entre somersby e argolinhas, das nossas mulheres, das nossas relações, de como uma relação, por muito boa que seja, pode ser diferente.

Lá me dizia ele que sentiu-se muito calmo quando percebeu que a relação de amizade se ia transformar em algo mais, que soube exactamente o que fazer, o que dizer, onde colocar as mãos, em que momento. Que decorreu tudo a uma velocidade furiosa mais do que normal.

No meu caso, no nosso caso, não foi assim.

Lembro-me do tempo que demorei a dar o primeiro passo. Do pavor que senti da primeira vez que percebi que sim, que estava estupidamente apanhado por aquela fusão de características brutais que é a minha mulher. Pavor de não ser mútuo, pavor de não estar preparado para avançar tão cedo para algo tão…tão tudo.

Costumo dizer, num tom de brincadeira muito sério, que foi a primeira mulher que me fez enfiar a cabeça debaixo de água apenas colocando a mão na minha, que me fez cogitar acerca de tudo. E foi. Ainda hoje, ninguém me descontrola e me faz controlar tão bem como ela, espero que nunca aconteça.

Quando for a vez dele de dar aquele passo, e está pelo fio, espero que viva a mesma sensação que me passou pelas veias. Aquela vontade de calar toda a gente com um berro “É MINHA”, a compulsão de dizer , até às beatas da igreja “Estou tão feliz, estou tão feliz, estou tão feliz. Gosto tanto dela, gosto tanto dela” enquanto se passeia de um pé para o outro, pois aquela distância do silêncio, mesmo que por momentos, é insuportável e, ao mesmo tempo, a distância mais perfeita da nossa vida.


Não é o papel, não é o nome no documento do seguro de vida. É aquela segurança quentinha de que ninguém nos tira um do outro, mesmo que não faça sentido, mesmo que mais ninguém perceba.  
Se eu podia ver outras coisas no youtube? Claro que sim, mas torna-se complicado.

No trabalho já ninguém me atura, vamos começar a contaminar aqui a blogosfera.


sexta-feira, 11 de abril de 2014