segunda-feira, 31 de março de 2014

Ocasiões que não se esquecem

A primeira vez que marcamos ou defendemos num grande jogo; a primeira vez que conduzimos um veículo motorizado sozinhos; a matrícula do nosso primeiro carro; a primeira vez que saímos à noite; o primeiro dia em que passamos de civis para militares; a nossa identificação; o número do nosso capacete no salto; o nosso número do armário; o nosso primeiro disparo; as nossas missões; o nosso primeiro beijo; a nossa primeira vez; o nosso primeiro serviço; as baixas na nossa vida; o dia em que percebemos que ela é a tal; a primeira vez que as mãos dela tocam as nossas; o primeiro beijo na nossa mulher; a primeira vez que partilhamos um cobertor no sofá; o primeiro filme que vimos; a nossa primeira noite acordados a olhar para ela, depois de a termos visto na totalidade; a primeira casa que vamos ver como casal; o dia em que nos diz “sim”; o menu da nossa cerimónia; a sensação da aliança a entrar no dedo; as nossas viagens; o dia em que nos diz que algo (de bom) se passa; o teste; quando nos dizem que vamos ser pais (independentemente das vezes que nos dizem.

terça-feira, 25 de março de 2014

Temos dormido bastante mal cá por casa. Horas e horas de “pára-arranca” de sonhos.  Ontem a sorte parecia ter mudado.

Eram três da manha e estava o Manuel aconchegado na Cenoura e, possivelmente, a não ter um pesadelo, quando sente a respiração dela a subir pelo pescoço até à cara, descendo outra vez para o pescoço, com as mãos a poisar sobre os ombros.

Chamem-me o que quiserem, mas eu tenho uma ligação directa. X igual a Y, nunca penso no Y1, ou no Z. É sempre Y. Como podem imaginar, portanto, as minhas luzes de felicidade acenderam-se todas e o meu grilo falante bradou um “Yuuuuupi!”. Lá a cingi ainda mais contra mim, dizendo algo que não vou passar para o “papel”, exprimindo toda uma alegria com mil e quinhentos beijos e apalpões quando ouço um sussurrar: “Estou maldisposta, cheira-me a tangerina”

Tangerina. Ninguém tinha comido tangerina, não há cremes de tangerina em nossa casa. TANGERINA?!
É isto que nos espera? Cheiros vindos do além, às três da matina? 

segunda-feira, 24 de março de 2014

"Contrail"


Aprendi, nos últimos dias, que nunca percebemos ao certo o quanto mudámos com a idade até ao momento em que alguém do passado nos relembra de como éramos.
Perguntas simples, outras nem por isso, que nos trazem à memória gostos antigos, manias, sonhos, pequenos tiques que nos caracterizavam, que foram julgados eternos e, só porque a idade muda, mudaram.
Perguntaste-me, brincalhona, porque sempre foi motivo de gozo, se continuava a perder a bola sempre que passava um avião, se o seguia com o olhar com um sorriso apaixonado nos lábios, ou se cruzava, ainda agora, os dedos ao rasto de um mais rápido. Suspirei, dramático, e repliquei com um “Quem sabe, quem sabe! Por via das dúvidas comecei a jogar só em espaços cobertos!”.
Trocam-se umas gargalhadas, uns quantos “que vergonha!”, “Eu não fazia isso, fazia?”. Surpreendemo-nos com as nossas próprias atitudes, no entanto não duvidamos, éramos capazes disso e de muito mais.
Relembrei o rapaz que eu era, nos meus tenros treze, catorze anos, que encarava tudo como se de uma missão secreta se tratasse, quer fosse uma tarde de cinema ou um teste de química.
Lembrei-me das horas de almoço, das minhas escapadelas para jogar, nem que fosse cinco minutos, aquele jogo que nem me recordo o nome, mas adorava. Dos compassos de espera no vão das escadas, “escondido” dos teus pais que, sei agora, sabiam que eu lá estava e, propositadamente, batiam com a porta de forma mais audível para que eu pudesse tratar do resto da minha missão.
Parecia tudo tão errado e tão certo ao mesmo tempo.
Tenho saudades do tempo em que os meus gostos dependiam de quem gostava comigo, de que tudo estava tão bem delineado que se tornava palpável, que eu era eu, sem me importar minimamente com os outros, com as outras, com alguém que não eu.
Constato que continuo a preferir as “secas” que passo ao lado de alguém que conta umas graçolas, que continuo a gostar mais de certos trabalhos que de outros, só porque tenho alguém de quem gosto ao meu lado.
Passaram-se tantos anos, tantas coisas mudaram. Ao apagar a TV tempo fica na memória o cheiro da relva molhada pelas chuvadas de Inverno, dos aviões a passar, espaçadamente, e do tempo dividido entre um objecto redondo e o chão encharcado.
Eu, na “primavera” da vida, refastelado na relva molhada, com os braços ao lado do corpo, a rir de uma ou de outra história ou aventura inventada, por ti ou por outros, a olhar para o céu cinzento do Inverno, lembrando-me, por milésimos de segundo, que o teste de Matemática estava para breve, que os TPC estão pendentes e não me apetece nada sair dali, deixar de sentir o cheiro da relva, o frio nas costas, a companhia de quem se estende a meu lado, tornando tudo muito mais agradável.
Era tudo tão complicado sem eu me preocupar.
Ao escrever isto deu-me para sorrir. Um dia, espero eu, tornar-me-ei a deitar naquela mesma relva. Talvez brevemente, vou fazer por isso antes que chegue o sol.
E sim, já que perguntaste, por vezes ainda cruzo os dedos ao ver o rasto dos aviões. O menino que há em mim ainda não perdeu a esperança na concretização dos seus “pedidos aos aviões”.

Escrito a 25\11\2010


A pessoa do "passado" é, agora, a pessoa mais presente na minha vida.


Há coisas incríveis, não há?

domingo, 23 de março de 2014

quarta-feira, 19 de março de 2014


quinta-feira, 13 de março de 2014

"Há quem diga que sou louca por te querer assim, quem diga que viver a tua vida me será a morte. Sabem lá eles o que é o teu colo em dias de lágrimas, o que são os meus ombros quando te desistes de ti. Sempre que cais estou pronta a levantar-me. Temos um código simples que só nós descodificamos: quando me faltar a respiração tapa a minha boca com a tua. Não perguntamos perguntas impossíveis (o mal dos Homens são as perguntas impossíveis; passamos pela vida à procura de as e esquecemo-nos de que a felicidade está entre parêntesis, nos pequenos momentos em que estamos a salvo do texto inteiro, da frase absoluta, do parágrafo final), não queremos que haja uma explicação para o que acontece entre as peles. Queremos que o tempo pare com o nosso movimento, e quando nos afastamos é para estarmos prontos para um regresso melhor. "

"Não sei a mulher que sou mas sei a mulher que não sou. Não sou a mulher que se esconde nos tachos, a mulher que se cala nas horas, que se entrega ao embuste da segurança, à fraude suportável de ver passar o tempo. Não. Não sou. Não sou a mulher do fado e das lágrimas, a mulher do enfado e das rotinas, dos sonhos que se arrastam pelas esquinas. Não. Não sou. Não sou mulher de sorrisos quando existe a gargalhada, de aldeias quando existe o mundo. Não sou nem um milímetro menos do que aquilo que posso ser, e se um dia cair foi porque tentei saltar e não porque preferi aceitar,
Antes um Titanic afundado do que um barco que não vai a nenhum lado.
Não sei o que sou mas sei que sou tua." (Pedro Chagas Freitas)

Já me expressaram, por sortidas vezes, que não devia viver a minha vida na servidão do meu sentimento por alguém, ou por algo. 
Por sinal, nunca se referiram ao sentimento que sinto por ti, foi uma generalidade do passado, se o tivessem feito teria de pedir escusa, com um murro na mesa, defensando a honra do que nutro por ti, do que sentimos um pelo o outro, nesta pertença mortal e que nos dá, ao mesmo tempo, toda a vida que necessitamos. 

Jurei há uns tempos, e foi uma daquelas juras de sangue e lágrimas, sangue dos nós dos dedos amassados contra a parede fria, com a gorja friíssima de uma raiva que ninguém ou nada pode combater, que nos passa nas veias e se dispersa pela alma, afiancei, e já te contei que jurei, que ninguém mais haveria de me ter. Vivi essa jura tempo. Não muito, nem pouco. Vivi essa jura o tempo certo para não precisar de jurar mais, para te encontrar, para me perder em ti, por ti, contigo. Um minuto a menos e teria sido um erro.


Sei que és tudo para mim quando te leio em cada coisa. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Por tudo o que é mais sagrado...

Onde andam as pessoas que consideram que o que acontece neste vídeo, a ser verdade (não é, mas vou deixar que sejam ingénuos e românticos), é o cúmulo do nojo?

sábado, 8 de março de 2014

Quando a minha mulher grita:

“Ohhh carola*, está uma versão «AVC-TOC» da tua pessoa na TV... E não é o Goucha."


* Carola é um termo militarizado que, no caso, até é carinhoso.