terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Noutra vida (não) fui marinheiro

Ali estava eu, pontualmente como sempre, a aguardar a chegada de sua excelência O Superior Hierárquico que, e a razão desconhece os motivos, quis ir ter ali, naquele exacto momento. 

Tudo corria bastante bem, já tinha bebido dois cafés, 250 ml de sumo de abacaxi com hortelã e estava bem disposto, confortavelmente abrigado na minha viatura, olhando pelo vidro retrovisor. 

Bate a hora certa e, como milagre de algum Deus sádico, o céu abre a capota e todas as janelas. O terror da chuva, do vento, das folhas de árvores. Ao longe, qual anjo do Diabo, vislumbra-se aquela barbicha, mesmo antes da viatura aparecer. O chefe chegou. A tempestade voltou.

Mantenho-me no carro durante míseros segundos ( adoptando a postura "não vi nada, não ouvi nada, não disse nada") quando vejo. sou obrigado a ver  e se não tivesse visto não acreditava, o meu chefe a ser sugado pela\com a porta do carro, perdendo o controlo na mesma (que foi embater num daqueles pequenos postes de estacionamento), estatelando-se no chão. 

Saí do carro, levando com quinze litros de água em cheio na cara, a alta velocidade, tentando avançar rapidamente para o velhote pré-hipotérmico que, qual puto acabado de cair, se agarrava ora à cabeça descoberta (fui apanhar o que lhe cobria a cabeça ao fundo da rua), ora à mão que havia sido repuxada, cuspindo água ao mesmo tempo que a ingeria, soluçando um "Ai, X Manuel, não devías ter combinado aqui.".

Pois sim, a culpa foi minha. 


2 palmadinhas no ombro:

Nada disse...

Podias ter previsto a situação e arrancado o poste...devia ser isso que ele queria dizer. Ou se calhar...não.

Manuel disse...

Nada, ele está velho, a ficar senil, com sinais claros de Alzheimer. Esquece-se de onde combina as coisas, quem paga é aqui o sexy. É triste...