segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Morrer como um soldado

Sou militar, nunca deixarei de o ser. Venho de uma linhagem de militares, casei com uma militar e, livre-me a sorte, os meus filhos, os filhos dos meus filhos, serão militares
.
Hoje a TVI bateu no fundo e, pelo menos cá em casa, e na casa de muitas famílias de verdadeiros militares, de verdadeiros soldados, dificilmente recuperará qualquer tipo de valor. É lixo, lixo que comparticipamos de alguma maneira e que, como lixo que é, deveria ser separado, tratado e colocado longe de tudo o que possa contaminar.

Não reparei em quem fez a reportagem sobre a morte do nosso Herói (o Chainho, claro está, que pode haver quem tenha dúvidas), mas não tenho dúvidas de que quem a fez tem pouco, ou nenhum, respeito pelo que aconteceu, pelas duas vidas importantes que se perderam (e estou a incluir no leque o nosso herói de quatro patas, o Barros, nunca o terrorista que foi abatido).

Quem consegue, para fins dramáticos acredito, descrever a morte de um terrorista, abatido por militares, com a frase: “O cidadão Moldavo morreu como um soldado, sem dar tréguas, com duas armas na mão”… merece que tipo de comentário?

Naquela noite um homem morreu como um soldado. Falou português toda a sua vida, cresceu com o nosso sol, com os nossos costumes, comeu a nossa comida, riu-se e chorou junto ao mar que nos banha. Apaixonou-se por uma forma de encarar a vida, honrou a bandeira e honrou-nos a todos nós que, de uma forma ou de outra, jurámos dar a vida sem pensar duas vezes. Naquela noite, pais ficaram sem o filho. Feriram-se homens, física e psicologicamente, irremediavelmente.

Os dias vão passar, tal como já se passaram meses. Existirão dias melhores, cada vez se pensará menos no que aconteceu, na imagem de um camarada abatido, sem motivos, sem explicação, sem retorno. Hoje não é um destes dias,


Obrigado TVI. 

3 palmadinhas no ombro:

Lia disse...

Este post deixou-me de lagrimas nos olhos e com a certeza de que fiz muito bem no dia em que deixei de ver tv :S

Nada disse...

Vou tentar descobrir a entrevista...gostava de a ver. É pena que escolham aleatoriamente quem as faz e não haja edição.
Por um infeliz que teve voz...podes ter a certeza que há muitos orgulhosos do papel dos militares portugueses

Manuel disse...

Lia, acredito. Foi um bocado geral. Não imaginas a revolta que vai por estes lados (e não, não falo só de mim).

Nada, às vezes custa-me a crer. Só vejo pessoas a criticar as polícias, as forças armadas, como se tivéssemos uma vida maravilhosa e ganhássemos 15 mil euros por dia...

Viva o Ronaldo.