sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Que escrever quando já foi tudo escrito?

"Dois quilos de arroz, quatro de cebolas congeladas, uma palete de leite e um amor para sempre, 
 a lista de compras colada no frigorífico, o fogão aceso, panelas ao lume, uma casa normal como as outras e depois nós, 
devia haver um limite para se ser de alguém só para o podemos ultrapassar como deve ser, não era?, 
gosto de te apertar quando inventamos a ficção possível, quando basta o rebordo da banca da cozinha para te amar, encosto-te lá e digo que te amo, e o pior é que te amo mesmo, 
tens ideia da raridade da nossa rotina?, 
ninguém acredita que alguém pode amar-se vinte e quatro horas por dias toda a vida e nós também não, é tão ridículo chamar vinte e quatro horas ao tempo absoluto que passamos juntos, chamamos-lhe vida e ficamo-nos por aí, 
são simples as palavras afinal, e nunca um amor morreu por falta de palavras mas apenas por falta de amor,
não sei se te digo as palavras certas mas amo-te como um poeta, escreve lá esta, por favor. 

Dá-me um beijo molhado à porta do Lidl e faz-me feliz,
tão adolescente como só tu o teu pedido, o teu riso estridente, a empregada de caixa sem saber se rir se chorar e já as tuas pernas à volta da minha cintura, 
não sei se chame lábios ao que me faz existir assim,
não és a maneira mais certa de viver, provavelmente, mas és com certeza a única possível, e basta-me isso para tudo estar correcto, 
gosto de quando a felicidade pode medir-se, a tua mão onde a carne se ergue, 
que raio de euforia és tu?, 
se Deus existisse irias obrigá-lo a pecar, e sabes disso, agora vem comigo tomar banho, lava-me as costas e esfrega-me a pele, não sei se é romântico mas faz-me chorar, fazes-me não saber o que quero a toda a hora e é esse o meu desejo, 
quantos desequilíbrios exige uma felicidade?, 
e ao final do dia ou da noite lá estaremos nós na casa normal, no sofá habitual, a tua cabeça no meu colo banal, o teu cabelo no meio das minhas mãos vulgares, e quem visse diria que seríamos mais um casal qualquer, e somos, mas não digas a ninguém que é por isso mesmo que nada se compara a nós,
a única pobreza é ter apenas a realidade para viver, e ainda bem que o sabemos, não é?,
não sei se te digo as palavras certas mas amo-te como um poeta, escreve lá esta, por favor." 

Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quanto mais vejo o mercado actualmente, mais feliz estou por não participar nele.
Estive a treinar com um amigo, que conheço há dezenas de anos, e estranhei a postura do mesmo. Recolhido, parado em cima do banco, a empatar-me a vida desportiva.

Passados uns trinta segundos, estando eu já muito farto de esperar, mandei-lhe um “Oh meu grande Lerdo, vais puxar ou desocupar?”. Acordou para a vida uns cinco minutos, para se perder logo de seguida. Estando o treino mais que arruinado, sugeri que falasse do que o perturbava.

Mulheres de Portugal, homens de Portugal, qual é a vossa dificuldade em decidir se querem ou não querem?

O meu amigo convidou uma mulher para fazer qualquer coisa. A mulher decidiu, só porque sim, que não responder, nem sim, nem não, era a solução para a coisa (não sei se é pelo suspense, se é pela falta de interesse, já que a doutrina dele divide-se). O meu amigo, meio confuso com a situação, verifica o telemóvel de quando em vez, ligando e desligando o aparelho, não vá o bicho (que custou mais que o ordenado mínimo) estar com algum defeito específico, daqueles que fazem com que se recebam todas as mensagens e chamadas, menos a que se quer.

Não percebo que se passa com o engate em Portugal. Estamos a ficar americanizados? Cinemas atrás de cinemas, com jantares atrás de jantares, sem um objectivo definido à priori? Mas que é isto?

Portanto, lanço a questão:

O que pretende uma mulher quando sai com um homem milhentas vezes? O que acha a mesma mulher que o homem pretende?


Cá em casa não temos como ajudar, mas queria tirar o meu amigo do seu sofrimento. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Haverá melhor maneira de...

...adormecer o filhote?



"Minha mãe no segundo 
                                                                                     Em que aceitou dançar 
Foi na cantiga 
Dos astros a conspirar 
E do seu cósmico vagar

Mandaram teu pai 
Sorrir para a tua mãe 
Para que tu 
Existisses também"

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nem sei que escrever aqui

A sério? A sério mesmo?



Coisas que perturbam a vida da malta cá de casa

Quem é que come Estrelitas com sabor a bolacha Maria? O objectivo de comer Estrelitas não deveria ser, basicamente, comer as estrelitas com sabor a estrelitas (seja ele qual for)? Querem comer bolacha Maria com leite, partam a bolacha Maria... e comam.

Que se passou hoje no Parque das Nações? Quem é que eram aquelas pessoas aos saltinhos (a dançar) que pararam a coreografia com o som de sirenes da polícia? Até estávamos entretidos a ver.

Em Hollywood não há pessoas especializadas em dar aconselhamento acerca de assuntos específicos, tipo armamento? É que ir ver o Robocop (gostámos muito!), ouvir a frase: “Só morre com disparos de armas com calibre .50 ou superior” e ver os seres humanos a empunhar armas que (a não ser que no futuro seja diferente, com armas iguais que não precisam de ser recarregadas? ) dificilmente teriam tal calibre é um turn off.

(Para indicações futuras*)

Como será, depois da robotização, a vida sexual do Robocop? Deve ser doloroso, para a senhora, encostar a cabeça no peito do homem. 


No futuro, tanta evolução depois, havia necessidade de ele fazer tanto barulho a andar? Não há uma ligazita mais leve por lá? Não lhe arranjam umas baterias que durem mais?

Era isso, basicamente.

*

Não é complicado, pázinhos. 




Pronto, eu também faço SPAM sobre a campanha da Presença. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Há pouco dei por mim, a limpar as mãos a um pano, de um conjunto de quinhentos que a minha sogra-avó nos deu, depois de arrumar a loiça que escolhemos os dois. Ali, no meio da nossa cozinha, que parece que foi feita à nossa medida, senti-me mais homem do que alguma vez me havia sentido a desempenhar estas tarefas.  
Comentei em voz alta, enquanto caminhava para o sofá de onde te posso ver no teu sítio de trabalho favorito. Levantaste a cabeça para mim, sorrindo e, que morra já aqui, nunca te tinha gostado mais do que naquele momento, com a tua roupa de andar por casa, os meus chinelos (gigantes para ti) nos pés, com os óculos a descair no nariz, deixando brilhar, ainda mais, o verde dos teus olhos.
Recostei-me no sofá, pensando escrever no "papel" tudo aquilo que estava a sentir, combatendo o desejo de te raptar para junto de mim pois, entretanto, havias retomado o raciocínio, franzindo levemente o sobrolho de tempos a tempos.
Estava capaz de o fazer, mas nunca te gostei tanto como há uns segundos, quando ciciaste, ao ver-me dedilhar no portátil, “Steve Rogers, tu vê lá o que é que escreves.”, tirando-me toda e qualquer capacidade de raciocínio.


Ad astra et ultra 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014




(agendado)

Viver numa aldeola é:

Ir ao café/padaria/pastelaria do bairro e ter pão e bolos em formato de coração... Até o rim se transformou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Começou num dia especial para ela.
Ali estava eu, a destilar baba no meu cantinho coberto, encarando a mulher mais perfeita daquela parada, dando o exemplo à mocidade.
Chegou e disse-me “Ela é um espectáculo”. Olhei para o sujeito, da cabeça aos pés, aquiescendo que sim, que “A MINHA mulher é perfeita.”. Ela chegou e ele falou com normalidade, não tendo detectado maldade. Desconsiderei.
Passaram-se uns tempos, mas lá voltou o senhor, num dia como outro qualquer, sentando-se à minha beira enquanto bebíamos um café deslavado. Falou, falou, falou. Que percebia a minha escolha, que fazíamos um casal muito bonito, etc. e tudo ao molho. Do alto da minha consideração pela minha mulher, tentei manter a calma.
Apareceu mais algumas vezes, sempre muito falador, muito simpático comigo.

Hoje, enquanto conversávamos, larguei uma piadinha:

A minha mulher tem um fã. O X não perde uma hipótese para vir gabar-me a sorte. E fala, fala, fala."

Silêncio profundo, tossezinha seca da parte de um deles, mais silêncio e uma gargalhada histérica da Cenoura:


“Manuel, o X é muito gay. Assumido e tudo. Por acaso, já tinha desconfiado que tem um fraquinho por ti. Devo ficar com ciúmes?”. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Noutra vida (não) fui marinheiro

Ali estava eu, pontualmente como sempre, a aguardar a chegada de sua excelência O Superior Hierárquico que, e a razão desconhece os motivos, quis ir ter ali, naquele exacto momento. 

Tudo corria bastante bem, já tinha bebido dois cafés, 250 ml de sumo de abacaxi com hortelã e estava bem disposto, confortavelmente abrigado na minha viatura, olhando pelo vidro retrovisor. 

Bate a hora certa e, como milagre de algum Deus sádico, o céu abre a capota e todas as janelas. O terror da chuva, do vento, das folhas de árvores. Ao longe, qual anjo do Diabo, vislumbra-se aquela barbicha, mesmo antes da viatura aparecer. O chefe chegou. A tempestade voltou.

Mantenho-me no carro durante míseros segundos ( adoptando a postura "não vi nada, não ouvi nada, não disse nada") quando vejo. sou obrigado a ver  e se não tivesse visto não acreditava, o meu chefe a ser sugado pela\com a porta do carro, perdendo o controlo na mesma (que foi embater num daqueles pequenos postes de estacionamento), estatelando-se no chão. 

Saí do carro, levando com quinze litros de água em cheio na cara, a alta velocidade, tentando avançar rapidamente para o velhote pré-hipotérmico que, qual puto acabado de cair, se agarrava ora à cabeça descoberta (fui apanhar o que lhe cobria a cabeça ao fundo da rua), ora à mão que havia sido repuxada, cuspindo água ao mesmo tempo que a ingeria, soluçando um "Ai, X Manuel, não devías ter combinado aqui.".

Pois sim, a culpa foi minha. 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Morrer como um soldado

Sou militar, nunca deixarei de o ser. Venho de uma linhagem de militares, casei com uma militar e, livre-me a sorte, os meus filhos, os filhos dos meus filhos, serão militares
.
Hoje a TVI bateu no fundo e, pelo menos cá em casa, e na casa de muitas famílias de verdadeiros militares, de verdadeiros soldados, dificilmente recuperará qualquer tipo de valor. É lixo, lixo que comparticipamos de alguma maneira e que, como lixo que é, deveria ser separado, tratado e colocado longe de tudo o que possa contaminar.

Não reparei em quem fez a reportagem sobre a morte do nosso Herói (o Chainho, claro está, que pode haver quem tenha dúvidas), mas não tenho dúvidas de que quem a fez tem pouco, ou nenhum, respeito pelo que aconteceu, pelas duas vidas importantes que se perderam (e estou a incluir no leque o nosso herói de quatro patas, o Barros, nunca o terrorista que foi abatido).

Quem consegue, para fins dramáticos acredito, descrever a morte de um terrorista, abatido por militares, com a frase: “O cidadão Moldavo morreu como um soldado, sem dar tréguas, com duas armas na mão”… merece que tipo de comentário?

Naquela noite um homem morreu como um soldado. Falou português toda a sua vida, cresceu com o nosso sol, com os nossos costumes, comeu a nossa comida, riu-se e chorou junto ao mar que nos banha. Apaixonou-se por uma forma de encarar a vida, honrou a bandeira e honrou-nos a todos nós que, de uma forma ou de outra, jurámos dar a vida sem pensar duas vezes. Naquela noite, pais ficaram sem o filho. Feriram-se homens, física e psicologicamente, irremediavelmente.

Os dias vão passar, tal como já se passaram meses. Existirão dias melhores, cada vez se pensará menos no que aconteceu, na imagem de um camarada abatido, sem motivos, sem explicação, sem retorno. Hoje não é um destes dias,


Obrigado TVI. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Viemos revolucionar e chocar esta aldeola.

Os nossos vizinhos passam-se da cabeça quando nos vêem a sair para o passeio em acelerado.
Hoje choquei-me a mim próprio, enquanto chocava o senhor Sportinguista (tem uns leões no muro, deduzo que seja, nunca falámos com ele sobre isso). Há aquaplaning também no ser humano. Dei um senhor tralho, com flic-flac à retaguarda mesmo em frente ao portão dele.


Não, não sei como é que sobrevivi. Ninguém sabe. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Bublé nunca cantaria uma música escrita por mim, mesmo que fosse mais perfeita que as que ele canta, já que seria inspirada em ti, em nós, mas, tendo de escolher uma entre todas, uma que caracterize várias das coisas que te quero dizer, teria de ser esta.

Nunca tinha entendido o lado não metafórico do “Quando estou contigo perco noção de tudo aquilo que me rodeia” até estar contigo. Achei sempre que era uma forma poética de dizer que só a outra pessoa interessa, nunca achei que fosse possível esquecer verdadeiramente o mundo: É e acontece-me todos os dias.

Pensei que não te merecia, mas já não penso. Mereço-te, tal como me mereces. Conheço-te como nunca conheci ninguém e pessoa alguma me conhece como tu me conheces. Não és a metade da minha laranja, pois não somos metade de coisa alguma. És o primeiro vidro e eu sou o segundo da nossa janela dupla que nos protege do exterior.

Como respondi ao homem da batina, não te amo, mas também te amo. Não se caracteriza o que sinto por ti, contigo, como o simples amor (sim, simples), mas também existe pois existe tudo, do mais simples carinho ao mais complexo grau teórico-prático de sentimento que nutrimos um pelo outro e ao qual ainda não deram sentido e\ou nome, ao qual gosto de chamar o teu nome, pois um síndrome tem sempre o nome de quem o descobriu ou de quem primeiro o sentiu\fez sentir. Não concebo “isto” sem ti, fora de ti, ou longe de ti.

Ainda bem que és minha e eu sou teu (e sim, há quem seja de alguém, sendo esse alguém seu). 

Ad astra et ultra





Tínhamos conversado acerca dos limites no blogue. Sei que achaste que não estava a ser uma conversa séria (algumas partes não foram, mas prometo não colocar aqui filmes!), mas tenciono cumprir esses limites. Não vou transformar o blogue num diário da nossa relação, embora pudesse muito bem ser um “Família Tuga Blogue”, ou um “ babies blog”…a considerar.