quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tenho percebido o esforço da TVI para se evidenciar no seu campo: O campo do ridículo. 

Não vou mentir e dizer que nunca vi o Big Brother ou genéricos. Já vi, já gostei de ver, considero extremamente interessante no que toca à análise de comportamento. No entanto, a selecção dos últimos tempos tem-se resumido à análise de dois requisitos: Grau de tolerância ao álcool e a Doenças Sexualmente Transmissíveis. 

Tudo excelente, cada um come o que quer, vê o que quer, incomoda como quer. Nem é isso que me incomodou mais. 

Tive a "honra" de estar a fazer o jantar (e com a TV ligada)  quando estava a passar uma novela para a juventude. 

Quem escreveu/pensou\autorizou aquilo vive em que gruta? Se não vive numa gruta, que tipo de analfabetos, mimados, complexados e fúteis conhece? 

Sou uma "miscelânea" de culturas e, ao contrário do borrego (ou dos borregos, o que é mais grave) que escreveu aquilo, nunca vi uma nortenha tão tacanha ou um ilhéu tão estranho. Considero uma falta de respeito para com as pessoas do norte (interior) aquela personagem feminina. Além de ser, aparentemente, a escrava da casa, é o arquétipo da ignorância (não da inocência, que é diferente), da tacanhice e de outras características que eu, como descendente de mulheres do norte, considero ofensivas. Se tivesse de ouvir a conversa do “passarinho” interior mais cinco minutos, sem dúvida, teria considerado o suicídio ou homicídio em massa.

Depois, considerando que a novela se destina a malta jovem, acho incrível a facilidade como se passa a ideia de que apanhar pielas é “cool”, que dormir com todas é de macho, que o dinheiro se ganha, a bem ou a mal, mas com facilidade. Algo está, definitivamente, mal na cabeça de quem autorizou\escreveu\realizou a novela, algo ficará irremediavelmente estragado na tola de quem acreditar naquilo. 

Será complicado fazer pior. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vida de cão?

Eu cá prefiro a vida do gato.



"Queriam tirar daqui a viatura? Temos pena."

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sou um tipo ciumento

Há algum tempo, não sabendo eu precisar quando (sei exactamente o dia, a hora, o minuto e, talvez, até o segundo…sei), um sujeito com pouco amor à vida decidiu que a minha mulher estava disponível para ser abraçada por alguém que não eu, ou alguém da família\amigos. A coisa passou-se, resolveu-se misteriosamente e, sabe-se lá porquê, nunca mais foi referida… Até hoje.

Estávamos todos reunidos numa padaria perto de toda a gente (sim, eu gosto da Padaria Portuguesa), quando um jovem, mesmo novinho, esbarrou de frente com a minha perdição. Na brincadeira, um amigo meu proferiu um “E nunca mais foi visto com vida…” enquanto me apertava o trapézio.

Ri-me e olhei para a CB que, nesse momento, decidiu defender-me cegamente.

“Ele já não é assim tão ciumento. Vocês são uns exagerados. Por exemplo…:”

E começou a contar a história do colega que a tinha tentado abordar intimamente, sem poupar detalhes, finalizando com um: “O Manuel não fez nada, nem falámos mais disso.”

Ahm… Pois.


A verdade é que fiz e o senhor ficou muito bem impressionado. 

A minha mulher é uma SANTA. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sabemos que temos que utilizar a noite para dormir quando:

Estamos muito concentrados a contar flexões em voz alta e...

 “Quarenta e oito, quarenta e nove, quarenta e dez…”

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Um jantar adorável (ou: O jantar a que eu gostava de não ter ido).

O meu pai arranjou namorada. Segundo ele, é uma relação séria, que já não tem idade para andar a experimentar carrosséis. Infelizmente, já a tinha conhecido antes.

Entrei em casa do meu pai armado com o meu semblante carregado: Estava ali obrigado, não queria estar ali e não perdoaria a minha irmã por se ter baldado em cima da hora. A minha mulher, conciliadora, avançou à minha frente. Desse momento em diante, foi só descambar.

Nenhum homem adulto está preparado para imaginar a vida sexual do pai, muito menos quando não é com a mãe. Neguem as vezes que quiserem, seus aldrabões. Portanto, nada nesta vida me preparou para ver aquela mãozinha a agarrar a mão que me apertou o meu primeiro nó de gravata.

Ali estava ela, uns dois dias mais velha que eu, no seu estilo “quarentona falsa”, a cuspir idade adulta para o meu penteado despenteado à força de American Crew Pomade e eu a respirar fundo, muito fundo, para ter uma desculpa para o meu silêncio enquanto o meu pai suspirava que nem um patife acabado de descobrir a presa.

Começou a conversa de elevador e eu, no auge da certeza de que não queria estar ali, a tentar manter-me à margem e…:

“O (inserir nome do pai do Manuel) Z contou-me que vocês se conheceram na escola…”.

Atentem, eu odeio que me tratem por senhor, por você. Gosto que me tratem por tu, de igual para igual, mas neste caso específico detestei. Na ponta da língua já me estava a rolar um: “Andamos juntos na tropa?” quando a SANTA da minha mulher atalhou e confirmou, com detalhe, a veracidade da afirmação. Não me contive muito mais…:

“Por acaso, a tua cara não me é estranha, mas não eras da nossa turma… Eras de Artes?”, perguntei eu com o meu ar mais sério. 

O meu pai tossiu o meu nome, várias vezes, mas a conversa prosseguiu com uma gargalhadinha forçada. Um ponto para o Manuel e um olhar “Vai ser a tua primeira noite no sofá” da Cenoura.
Ela, com aquela camisa branca, de um tecido acetinado, com botões pretos que me apoquentavam e desconcentravam, com um ar muito sóbrio, a atirar gostos para o ar, acompanhada pelo meu pai que puxava a brasa à sardinha, como que esperando que eu reconhecesse que a namoradinha partilha gostos comigo. COMIGO!

“A J. gosta muito de Pessoa”, e eu deixei de gostar de Fernando Pessoa na hora;  “Gosta do Anthony Hopkins!” e deixou de ser um dos meus favoritos, estando a rainha também errada. “Gosta muito de filmes de suspense, policiais.”, ao que se ouviu “Agora estou numa de filmes de animação!”, o que surpreendeu a minha mulher.

Tudo se desenvolveu nesta óptica até à sobremesa.

“A J. fez bolo de bolacha, Manuel.”

Foi assim que confessei que afinal, décadas depois, nunca gostei de bolo de bolacha, nem de tarte de pastel de nata (que era a alternativa), sempre comi por obrigação.

Conclusão da noite:

O Manuel está a preparar-se para acabar a noite a ver o filme Frozen (com a promessa de que vamos ver a Revolta dos Perus ao cinema, ainda esta semana), sem comer qualquer tipo de bolo que, vingativamente, a J. insistiu que a minha mulher trouxesse, sabendo que eu ODEIO.

A minha mulher parece-me animada com a situação, ainda não é hoje que dorme sem mim.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Não joga o Matic, joga o Manel"

Assim justifico a minha falta de tempo, ultimamente.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Como já deu para perceber, retirei do blogue todos os textos escritos anteriormente. O que penso não mudou, o que sinto não mudou e, como é lógico, o que eu sou, para o bem e para o mal, persiste imutável.
Admito que me bateram as saudades, que senti falta de “despejar” meia dúzia de palavras para uma folha de word. Juntando o facto de, pela primeira vez em muito tempo, estar a passar uma noite sozinho…aconteceu.

A minha mulher disse-me para me portar bem na breve ausência:

... 


Isto não conta como infracção (mas há que desertar rapidamente, que nunca se sabe o que desenterrarei se ficar mais umas horas sozinho) .

Cá pelo meu burgo

Hoje tive a casa só para mim. Não fui trabalhar e, como ando carente de descanso, recomendaram-me que ficasse pela cama, quietinho e sem me dar a grandes esforços.
Depois de distribuir os meus amores pelos locais em que estão sem mim, voltei imediatamente para casa. Com um sorriso de orelha a orelha atirei a camisola e as calças para a cadeira enquanto mergulhava, literalmente, para baixo do edredão espectacular que comprámos no IKEA (recomendo!). Não tardou que fosse invadido pela moinha do sono.

Adormeci, e sonhava não sei precisar com quê, quando, inesperadamente, tocam à campainha. O racional que há em mim ignorou o toque justificando com o facto de ser a hora do carteiro, do padeiro, dos jeovás, e sabe-se lá mais de quem. Aconcheguei mais o edredão contra o queixo e aguardei o silêncio que não chegou.

A muito custo, saltei da cama, desci as escadas e dirigi-me para a porta da entrada, gelando completamente no caminho. Sem nenhum motivo coerente, a minha vizinha (que mal me conhece, à semelhança de todos os nossos actuais vizinhos) sentiu-se no direito de pressionar insistentemente a minha campainha. Sorri, com aquele sorriso que indica que acabei de ser acordado e que tal acto não me satisfaz, e questionei o motivo de tal chinfrineira. Ao que parece, por aqui é normal tocar à campainha das pessoas para perguntar se a TV está a funcionar.

Voltei para a cama, tornei a aconchegar o meu próprio edredão e, quase a cair no sono, fui novamente despertado, agora pelo telefone de casa. Quem me conhece, e quem tem o número cá de casa deveria conhecer, sabe que eu não atendo o telefone, dificilmente falo ao telefone  e que fico extremamente lixado por ouvir o telefone a tocar. Ignorei e voltou a tocar, e a tocar, e a tocar. O modem foi, claro está, desligado. Quem me importa, usa o telemóvel. 

Repetindo a cena do aconchego, pouco tempo volvido, torno a ser despertado pela vizinha atenciosa que, desta feita, queria informar-me de que o problema da TV não era geral, que não me preocupasse que já se tinha informado (talvez com o vizinho do lote do lado). Agradeci preciosa informação, não voltei para a cama e estou, desde então, com um adorável humor.