terça-feira, 16 de setembro de 2014

Uma pausa na nossa relação.

Ali estava eu, olhando-te de cima, da minha posição favorita, escutando o som ritmado característico do muito que somos capazes juntos, de tudo aquilo que podíamos fazer, se pudéssemos fazer. Líquido escorria-me pela fonte e não saberia discernir suor de lágrimas, lágrimas de gotas de chuva, sei que estava terrificado, desconsolado, infeliz, completamente destruído.
Saí apressadamente de cima de ti, procurando esconder-te nos confins do mundo, para não ter de olhar para ti e cair em tentação, destruindo, para sempre, a nossa relação por prazer temporário.
Galopante, subi as escadas, aterrando esbaforido no leito que me poderia trazer algum conforto após tamanha desilusão. Perscrutei o silêncio em busca de uma palavra de alento. Um suspiro longo, de quem já espera o que aí vem, esperando que eu proferisse as solenes palavras:

“Cenoura, está um temporal… Tenho de ir enlatado*.”

Abraçaste-me (abraçaram-me?), como quem abraça uma criança que acaba de perder o peixinho dourado, fazendo-me sentir que tenho motivos para ficar em segurança. 

* "Ir enlatado" corresponde ao acto de ir de carro. Quem anda apoiado em duas rodas, ou em dois pés, conhece o termo. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Às vezes, gostava de andar com a minha action cam na lapela vinte e quatro horas por dia. Se assim fosse, conseguiria explicar o quão boa foi a sobremesa de ontem, vendo esvoaçar as bandeiras junto ao rio, a conversar com a minha mulher, quanto uma menina, a rondar os três anitos, decidiu vir agarrar-se ao varandim à nossa frente e cantar uma música lamechas que não eu não conseguiria recompor, mas que acalentou o espírito num dia muito complicado. 

domingo, 22 de junho de 2014



Cenário: Manuel e Cenoura a fazer a caminhada matinal. Cenoura em (recém-aprendido) sofrimento. Tempo a dar sinais de chuva.

Manuel: Voltamos para casa? 
Cenoura, agarrando-me na mão e olhando para os meus olhos: Explica-me... porque é que não comprámos antes um buldogue francês*?


*Aparentemente, os jovens casais optam por adoptar um cão (o buldogue francês está muito na moda) em vez de engravidarem e terem filhotes. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Assim um(a) post(a) a correr...

Imaginem o cenário.

Um homem, uma mulher, um carro com GPS. O homem, assumidamente, não sabe o caminho, não faz ideia do que vai encontrar e tem um ligeiro receio de ir parar a uma zona com indígenas. A mulher sabe sempre o caminho, pelo menos na teoria, nunca se perde e, consta na utopia social de alguns grupos, inventou a própria bússola. O GPS, como todos os GPS, não deve estar actualizado, se é que alguma vez esteve. 

Chega ao fim de uma estrada que aparentava não o ter e ouve-se um:

"A 700 metros, na rotunda, siga pela terceira saída". 

Imaginem que eu queria ir para Faro, aquela rotunda, exactamente na terceira saída, indicava PORTO, a letras gigantes. 

Lá suspiro e digo um redundante: "Estamos $#$%$&, Cenoura". Que não, que não estamos, que ela sabe exactamente onde está, para sair antes na segunda, que o GPS percebe nada daquilo. 
Nunca fui de contrariar a minha mulher, muito menos o faço agora. Saio na segunda saída e somos apresentados a uma estrada igualmente longa. Engulo um "Ai a minha vida", olho em volta e finjo que ajusto o som. 

Andamos uns valentes metros e ouve-se um: "A 700 metros (sempre a 700), no cruzamento curve à esquerda". O cruzamento, meus caros, não apareceu, logo está a situação resolvida. A minha mulher sugere algo improvável, muito improvável e assustador e eu cumpro os seus desejos, mas ao contrário. 

"Chegou ao seu destino", ouve-se uns minutos depois.

"Vês? O GPS não percebe nada da coisa. Ainda bem que me tens a mim", diz-me ela. 

Não sei como é que vou fazer quando estiver com os nervos a conduzir para o parto da criança. Acho que o meu filho vai nascer num monte alentejano. 

sábado, 19 de abril de 2014

Um amigo da minha mulher, que agora é nosso, vai casar. Dei por mim a falar com ele, entre somersby e argolinhas, das nossas mulheres, das nossas relações, de como uma relação, por muito boa que seja, pode ser diferente.

Lá me dizia ele que sentiu-se muito calmo quando percebeu que a relação de amizade se ia transformar em algo mais, que soube exactamente o que fazer, o que dizer, onde colocar as mãos, em que momento. Que decorreu tudo a uma velocidade furiosa mais do que normal.

No meu caso, no nosso caso, não foi assim.

Lembro-me do tempo que demorei a dar o primeiro passo. Do pavor que senti da primeira vez que percebi que sim, que estava estupidamente apanhado por aquela fusão de características brutais que é a minha mulher. Pavor de não ser mútuo, pavor de não estar preparado para avançar tão cedo para algo tão…tão tudo.

Costumo dizer, num tom de brincadeira muito sério, que foi a primeira mulher que me fez enfiar a cabeça debaixo de água apenas colocando a mão na minha, que me fez cogitar acerca de tudo. E foi. Ainda hoje, ninguém me descontrola e me faz controlar tão bem como ela, espero que nunca aconteça.

Quando for a vez dele de dar aquele passo, e está pelo fio, espero que viva a mesma sensação que me passou pelas veias. Aquela vontade de calar toda a gente com um berro “É MINHA”, a compulsão de dizer , até às beatas da igreja “Estou tão feliz, estou tão feliz, estou tão feliz. Gosto tanto dela, gosto tanto dela” enquanto se passeia de um pé para o outro, pois aquela distância do silêncio, mesmo que por momentos, é insuportável e, ao mesmo tempo, a distância mais perfeita da nossa vida.


Não é o papel, não é o nome no documento do seguro de vida. É aquela segurança quentinha de que ninguém nos tira um do outro, mesmo que não faça sentido, mesmo que mais ninguém perceba.  
Se eu podia ver outras coisas no youtube? Claro que sim, mas torna-se complicado.

No trabalho já ninguém me atura, vamos começar a contaminar aqui a blogosfera.


sexta-feira, 11 de abril de 2014


segunda-feira, 31 de março de 2014

Ocasiões que não se esquecem

A primeira vez que marcamos ou defendemos num grande jogo; a primeira vez que conduzimos um veículo motorizado sozinhos; a matrícula do nosso primeiro carro; a primeira vez que saímos à noite; o primeiro dia em que passamos de civis para militares; a nossa identificação; o número do nosso capacete no salto; o nosso número do armário; o nosso primeiro disparo; as nossas missões; o nosso primeiro beijo; a nossa primeira vez; o nosso primeiro serviço; as baixas na nossa vida; o dia em que percebemos que ela é a tal; a primeira vez que as mãos dela tocam as nossas; o primeiro beijo na nossa mulher; a primeira vez que partilhamos um cobertor no sofá; o primeiro filme que vimos; a nossa primeira noite acordados a olhar para ela, depois de a termos visto na totalidade; a primeira casa que vamos ver como casal; o dia em que nos diz “sim”; o menu da nossa cerimónia; a sensação da aliança a entrar no dedo; as nossas viagens; o dia em que nos diz que algo (de bom) se passa; o teste; quando nos dizem que vamos ser pais (independentemente das vezes que nos dizem.

terça-feira, 25 de março de 2014

Temos dormido bastante mal cá por casa. Horas e horas de “pára-arranca” de sonhos.  Ontem a sorte parecia ter mudado.

Eram três da manha e estava o Manuel aconchegado na Cenoura e, possivelmente, a não ter um pesadelo, quando sente a respiração dela a subir pelo pescoço até à cara, descendo outra vez para o pescoço, com as mãos a poisar sobre os ombros.

Chamem-me o que quiserem, mas eu tenho uma ligação directa. X igual a Y, nunca penso no Y1, ou no Z. É sempre Y. Como podem imaginar, portanto, as minhas luzes de felicidade acenderam-se todas e o meu grilo falante bradou um “Yuuuuupi!”. Lá a cingi ainda mais contra mim, dizendo algo que não vou passar para o “papel”, exprimindo toda uma alegria com mil e quinhentos beijos e apalpões quando ouço um sussurrar: “Estou maldisposta, cheira-me a tangerina”

Tangerina. Ninguém tinha comido tangerina, não há cremes de tangerina em nossa casa. TANGERINA?!
É isto que nos espera? Cheiros vindos do além, às três da matina? 

segunda-feira, 24 de março de 2014

"Contrail"


Aprendi, nos últimos dias, que nunca percebemos ao certo o quanto mudámos com a idade até ao momento em que alguém do passado nos relembra de como éramos.
Perguntas simples, outras nem por isso, que nos trazem à memória gostos antigos, manias, sonhos, pequenos tiques que nos caracterizavam, que foram julgados eternos e, só porque a idade muda, mudaram.
Perguntaste-me, brincalhona, porque sempre foi motivo de gozo, se continuava a perder a bola sempre que passava um avião, se o seguia com o olhar com um sorriso apaixonado nos lábios, ou se cruzava, ainda agora, os dedos ao rasto de um mais rápido. Suspirei, dramático, e repliquei com um “Quem sabe, quem sabe! Por via das dúvidas comecei a jogar só em espaços cobertos!”.
Trocam-se umas gargalhadas, uns quantos “que vergonha!”, “Eu não fazia isso, fazia?”. Surpreendemo-nos com as nossas próprias atitudes, no entanto não duvidamos, éramos capazes disso e de muito mais.
Relembrei o rapaz que eu era, nos meus tenros treze, catorze anos, que encarava tudo como se de uma missão secreta se tratasse, quer fosse uma tarde de cinema ou um teste de química.
Lembrei-me das horas de almoço, das minhas escapadelas para jogar, nem que fosse cinco minutos, aquele jogo que nem me recordo o nome, mas adorava. Dos compassos de espera no vão das escadas, “escondido” dos teus pais que, sei agora, sabiam que eu lá estava e, propositadamente, batiam com a porta de forma mais audível para que eu pudesse tratar do resto da minha missão.
Parecia tudo tão errado e tão certo ao mesmo tempo.
Tenho saudades do tempo em que os meus gostos dependiam de quem gostava comigo, de que tudo estava tão bem delineado que se tornava palpável, que eu era eu, sem me importar minimamente com os outros, com as outras, com alguém que não eu.
Constato que continuo a preferir as “secas” que passo ao lado de alguém que conta umas graçolas, que continuo a gostar mais de certos trabalhos que de outros, só porque tenho alguém de quem gosto ao meu lado.
Passaram-se tantos anos, tantas coisas mudaram. Ao apagar a TV tempo fica na memória o cheiro da relva molhada pelas chuvadas de Inverno, dos aviões a passar, espaçadamente, e do tempo dividido entre um objecto redondo e o chão encharcado.
Eu, na “primavera” da vida, refastelado na relva molhada, com os braços ao lado do corpo, a rir de uma ou de outra história ou aventura inventada, por ti ou por outros, a olhar para o céu cinzento do Inverno, lembrando-me, por milésimos de segundo, que o teste de Matemática estava para breve, que os TPC estão pendentes e não me apetece nada sair dali, deixar de sentir o cheiro da relva, o frio nas costas, a companhia de quem se estende a meu lado, tornando tudo muito mais agradável.
Era tudo tão complicado sem eu me preocupar.
Ao escrever isto deu-me para sorrir. Um dia, espero eu, tornar-me-ei a deitar naquela mesma relva. Talvez brevemente, vou fazer por isso antes que chegue o sol.
E sim, já que perguntaste, por vezes ainda cruzo os dedos ao ver o rasto dos aviões. O menino que há em mim ainda não perdeu a esperança na concretização dos seus “pedidos aos aviões”.

Escrito a 25\11\2010


A pessoa do "passado" é, agora, a pessoa mais presente na minha vida.


Há coisas incríveis, não há?

domingo, 23 de março de 2014

quarta-feira, 19 de março de 2014


quinta-feira, 13 de março de 2014

"Há quem diga que sou louca por te querer assim, quem diga que viver a tua vida me será a morte. Sabem lá eles o que é o teu colo em dias de lágrimas, o que são os meus ombros quando te desistes de ti. Sempre que cais estou pronta a levantar-me. Temos um código simples que só nós descodificamos: quando me faltar a respiração tapa a minha boca com a tua. Não perguntamos perguntas impossíveis (o mal dos Homens são as perguntas impossíveis; passamos pela vida à procura de as e esquecemo-nos de que a felicidade está entre parêntesis, nos pequenos momentos em que estamos a salvo do texto inteiro, da frase absoluta, do parágrafo final), não queremos que haja uma explicação para o que acontece entre as peles. Queremos que o tempo pare com o nosso movimento, e quando nos afastamos é para estarmos prontos para um regresso melhor. "

"Não sei a mulher que sou mas sei a mulher que não sou. Não sou a mulher que se esconde nos tachos, a mulher que se cala nas horas, que se entrega ao embuste da segurança, à fraude suportável de ver passar o tempo. Não. Não sou. Não sou a mulher do fado e das lágrimas, a mulher do enfado e das rotinas, dos sonhos que se arrastam pelas esquinas. Não. Não sou. Não sou mulher de sorrisos quando existe a gargalhada, de aldeias quando existe o mundo. Não sou nem um milímetro menos do que aquilo que posso ser, e se um dia cair foi porque tentei saltar e não porque preferi aceitar,
Antes um Titanic afundado do que um barco que não vai a nenhum lado.
Não sei o que sou mas sei que sou tua." (Pedro Chagas Freitas)

Já me expressaram, por sortidas vezes, que não devia viver a minha vida na servidão do meu sentimento por alguém, ou por algo. 
Por sinal, nunca se referiram ao sentimento que sinto por ti, foi uma generalidade do passado, se o tivessem feito teria de pedir escusa, com um murro na mesa, defensando a honra do que nutro por ti, do que sentimos um pelo o outro, nesta pertença mortal e que nos dá, ao mesmo tempo, toda a vida que necessitamos. 

Jurei há uns tempos, e foi uma daquelas juras de sangue e lágrimas, sangue dos nós dos dedos amassados contra a parede fria, com a gorja friíssima de uma raiva que ninguém ou nada pode combater, que nos passa nas veias e se dispersa pela alma, afiancei, e já te contei que jurei, que ninguém mais haveria de me ter. Vivi essa jura tempo. Não muito, nem pouco. Vivi essa jura o tempo certo para não precisar de jurar mais, para te encontrar, para me perder em ti, por ti, contigo. Um minuto a menos e teria sido um erro.


Sei que és tudo para mim quando te leio em cada coisa. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Por tudo o que é mais sagrado...

Onde andam as pessoas que consideram que o que acontece neste vídeo, a ser verdade (não é, mas vou deixar que sejam ingénuos e românticos), é o cúmulo do nojo?

sábado, 8 de março de 2014

Quando a minha mulher grita:

“Ohhh carola*, está uma versão «AVC-TOC» da tua pessoa na TV... E não é o Goucha."


* Carola é um termo militarizado que, no caso, até é carinhoso.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Que escrever quando já foi tudo escrito?

"Dois quilos de arroz, quatro de cebolas congeladas, uma palete de leite e um amor para sempre, 
 a lista de compras colada no frigorífico, o fogão aceso, panelas ao lume, uma casa normal como as outras e depois nós, 
devia haver um limite para se ser de alguém só para o podemos ultrapassar como deve ser, não era?, 
gosto de te apertar quando inventamos a ficção possível, quando basta o rebordo da banca da cozinha para te amar, encosto-te lá e digo que te amo, e o pior é que te amo mesmo, 
tens ideia da raridade da nossa rotina?, 
ninguém acredita que alguém pode amar-se vinte e quatro horas por dias toda a vida e nós também não, é tão ridículo chamar vinte e quatro horas ao tempo absoluto que passamos juntos, chamamos-lhe vida e ficamo-nos por aí, 
são simples as palavras afinal, e nunca um amor morreu por falta de palavras mas apenas por falta de amor,
não sei se te digo as palavras certas mas amo-te como um poeta, escreve lá esta, por favor. 

Dá-me um beijo molhado à porta do Lidl e faz-me feliz,
tão adolescente como só tu o teu pedido, o teu riso estridente, a empregada de caixa sem saber se rir se chorar e já as tuas pernas à volta da minha cintura, 
não sei se chame lábios ao que me faz existir assim,
não és a maneira mais certa de viver, provavelmente, mas és com certeza a única possível, e basta-me isso para tudo estar correcto, 
gosto de quando a felicidade pode medir-se, a tua mão onde a carne se ergue, 
que raio de euforia és tu?, 
se Deus existisse irias obrigá-lo a pecar, e sabes disso, agora vem comigo tomar banho, lava-me as costas e esfrega-me a pele, não sei se é romântico mas faz-me chorar, fazes-me não saber o que quero a toda a hora e é esse o meu desejo, 
quantos desequilíbrios exige uma felicidade?, 
e ao final do dia ou da noite lá estaremos nós na casa normal, no sofá habitual, a tua cabeça no meu colo banal, o teu cabelo no meio das minhas mãos vulgares, e quem visse diria que seríamos mais um casal qualquer, e somos, mas não digas a ninguém que é por isso mesmo que nada se compara a nós,
a única pobreza é ter apenas a realidade para viver, e ainda bem que o sabemos, não é?,
não sei se te digo as palavras certas mas amo-te como um poeta, escreve lá esta, por favor." 

Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quanto mais vejo o mercado actualmente, mais feliz estou por não participar nele.
Estive a treinar com um amigo, que conheço há dezenas de anos, e estranhei a postura do mesmo. Recolhido, parado em cima do banco, a empatar-me a vida desportiva.

Passados uns trinta segundos, estando eu já muito farto de esperar, mandei-lhe um “Oh meu grande Lerdo, vais puxar ou desocupar?”. Acordou para a vida uns cinco minutos, para se perder logo de seguida. Estando o treino mais que arruinado, sugeri que falasse do que o perturbava.

Mulheres de Portugal, homens de Portugal, qual é a vossa dificuldade em decidir se querem ou não querem?

O meu amigo convidou uma mulher para fazer qualquer coisa. A mulher decidiu, só porque sim, que não responder, nem sim, nem não, era a solução para a coisa (não sei se é pelo suspense, se é pela falta de interesse, já que a doutrina dele divide-se). O meu amigo, meio confuso com a situação, verifica o telemóvel de quando em vez, ligando e desligando o aparelho, não vá o bicho (que custou mais que o ordenado mínimo) estar com algum defeito específico, daqueles que fazem com que se recebam todas as mensagens e chamadas, menos a que se quer.

Não percebo que se passa com o engate em Portugal. Estamos a ficar americanizados? Cinemas atrás de cinemas, com jantares atrás de jantares, sem um objectivo definido à priori? Mas que é isto?

Portanto, lanço a questão:

O que pretende uma mulher quando sai com um homem milhentas vezes? O que acha a mesma mulher que o homem pretende?


Cá em casa não temos como ajudar, mas queria tirar o meu amigo do seu sofrimento. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Haverá melhor maneira de...

...adormecer o filhote?



"Minha mãe no segundo 
                                                                                     Em que aceitou dançar 
Foi na cantiga 
Dos astros a conspirar 
E do seu cósmico vagar

Mandaram teu pai 
Sorrir para a tua mãe 
Para que tu 
Existisses também"

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nem sei que escrever aqui

A sério? A sério mesmo?



Coisas que perturbam a vida da malta cá de casa

Quem é que come Estrelitas com sabor a bolacha Maria? O objectivo de comer Estrelitas não deveria ser, basicamente, comer as estrelitas com sabor a estrelitas (seja ele qual for)? Querem comer bolacha Maria com leite, partam a bolacha Maria... e comam.

Que se passou hoje no Parque das Nações? Quem é que eram aquelas pessoas aos saltinhos (a dançar) que pararam a coreografia com o som de sirenes da polícia? Até estávamos entretidos a ver.

Em Hollywood não há pessoas especializadas em dar aconselhamento acerca de assuntos específicos, tipo armamento? É que ir ver o Robocop (gostámos muito!), ouvir a frase: “Só morre com disparos de armas com calibre .50 ou superior” e ver os seres humanos a empunhar armas que (a não ser que no futuro seja diferente, com armas iguais que não precisam de ser recarregadas? ) dificilmente teriam tal calibre é um turn off.

(Para indicações futuras*)

Como será, depois da robotização, a vida sexual do Robocop? Deve ser doloroso, para a senhora, encostar a cabeça no peito do homem. 


No futuro, tanta evolução depois, havia necessidade de ele fazer tanto barulho a andar? Não há uma ligazita mais leve por lá? Não lhe arranjam umas baterias que durem mais?

Era isso, basicamente.

*

Não é complicado, pázinhos. 




Pronto, eu também faço SPAM sobre a campanha da Presença. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Há pouco dei por mim, a limpar as mãos a um pano, de um conjunto de quinhentos que a minha sogra-avó nos deu, depois de arrumar a loiça que escolhemos os dois. Ali, no meio da nossa cozinha, que parece que foi feita à nossa medida, senti-me mais homem do que alguma vez me havia sentido a desempenhar estas tarefas.  
Comentei em voz alta, enquanto caminhava para o sofá de onde te posso ver no teu sítio de trabalho favorito. Levantaste a cabeça para mim, sorrindo e, que morra já aqui, nunca te tinha gostado mais do que naquele momento, com a tua roupa de andar por casa, os meus chinelos (gigantes para ti) nos pés, com os óculos a descair no nariz, deixando brilhar, ainda mais, o verde dos teus olhos.
Recostei-me no sofá, pensando escrever no "papel" tudo aquilo que estava a sentir, combatendo o desejo de te raptar para junto de mim pois, entretanto, havias retomado o raciocínio, franzindo levemente o sobrolho de tempos a tempos.
Estava capaz de o fazer, mas nunca te gostei tanto como há uns segundos, quando ciciaste, ao ver-me dedilhar no portátil, “Steve Rogers, tu vê lá o que é que escreves.”, tirando-me toda e qualquer capacidade de raciocínio.


Ad astra et ultra 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014




(agendado)

Viver numa aldeola é:

Ir ao café/padaria/pastelaria do bairro e ter pão e bolos em formato de coração... Até o rim se transformou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Começou num dia especial para ela.
Ali estava eu, a destilar baba no meu cantinho coberto, encarando a mulher mais perfeita daquela parada, dando o exemplo à mocidade.
Chegou e disse-me “Ela é um espectáculo”. Olhei para o sujeito, da cabeça aos pés, aquiescendo que sim, que “A MINHA mulher é perfeita.”. Ela chegou e ele falou com normalidade, não tendo detectado maldade. Desconsiderei.
Passaram-se uns tempos, mas lá voltou o senhor, num dia como outro qualquer, sentando-se à minha beira enquanto bebíamos um café deslavado. Falou, falou, falou. Que percebia a minha escolha, que fazíamos um casal muito bonito, etc. e tudo ao molho. Do alto da minha consideração pela minha mulher, tentei manter a calma.
Apareceu mais algumas vezes, sempre muito falador, muito simpático comigo.

Hoje, enquanto conversávamos, larguei uma piadinha:

A minha mulher tem um fã. O X não perde uma hipótese para vir gabar-me a sorte. E fala, fala, fala."

Silêncio profundo, tossezinha seca da parte de um deles, mais silêncio e uma gargalhada histérica da Cenoura:


“Manuel, o X é muito gay. Assumido e tudo. Por acaso, já tinha desconfiado que tem um fraquinho por ti. Devo ficar com ciúmes?”. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Noutra vida (não) fui marinheiro

Ali estava eu, pontualmente como sempre, a aguardar a chegada de sua excelência O Superior Hierárquico que, e a razão desconhece os motivos, quis ir ter ali, naquele exacto momento. 

Tudo corria bastante bem, já tinha bebido dois cafés, 250 ml de sumo de abacaxi com hortelã e estava bem disposto, confortavelmente abrigado na minha viatura, olhando pelo vidro retrovisor. 

Bate a hora certa e, como milagre de algum Deus sádico, o céu abre a capota e todas as janelas. O terror da chuva, do vento, das folhas de árvores. Ao longe, qual anjo do Diabo, vislumbra-se aquela barbicha, mesmo antes da viatura aparecer. O chefe chegou. A tempestade voltou.

Mantenho-me no carro durante míseros segundos ( adoptando a postura "não vi nada, não ouvi nada, não disse nada") quando vejo. sou obrigado a ver  e se não tivesse visto não acreditava, o meu chefe a ser sugado pela\com a porta do carro, perdendo o controlo na mesma (que foi embater num daqueles pequenos postes de estacionamento), estatelando-se no chão. 

Saí do carro, levando com quinze litros de água em cheio na cara, a alta velocidade, tentando avançar rapidamente para o velhote pré-hipotérmico que, qual puto acabado de cair, se agarrava ora à cabeça descoberta (fui apanhar o que lhe cobria a cabeça ao fundo da rua), ora à mão que havia sido repuxada, cuspindo água ao mesmo tempo que a ingeria, soluçando um "Ai, X Manuel, não devías ter combinado aqui.".

Pois sim, a culpa foi minha. 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Morrer como um soldado

Sou militar, nunca deixarei de o ser. Venho de uma linhagem de militares, casei com uma militar e, livre-me a sorte, os meus filhos, os filhos dos meus filhos, serão militares
.
Hoje a TVI bateu no fundo e, pelo menos cá em casa, e na casa de muitas famílias de verdadeiros militares, de verdadeiros soldados, dificilmente recuperará qualquer tipo de valor. É lixo, lixo que comparticipamos de alguma maneira e que, como lixo que é, deveria ser separado, tratado e colocado longe de tudo o que possa contaminar.

Não reparei em quem fez a reportagem sobre a morte do nosso Herói (o Chainho, claro está, que pode haver quem tenha dúvidas), mas não tenho dúvidas de que quem a fez tem pouco, ou nenhum, respeito pelo que aconteceu, pelas duas vidas importantes que se perderam (e estou a incluir no leque o nosso herói de quatro patas, o Barros, nunca o terrorista que foi abatido).

Quem consegue, para fins dramáticos acredito, descrever a morte de um terrorista, abatido por militares, com a frase: “O cidadão Moldavo morreu como um soldado, sem dar tréguas, com duas armas na mão”… merece que tipo de comentário?

Naquela noite um homem morreu como um soldado. Falou português toda a sua vida, cresceu com o nosso sol, com os nossos costumes, comeu a nossa comida, riu-se e chorou junto ao mar que nos banha. Apaixonou-se por uma forma de encarar a vida, honrou a bandeira e honrou-nos a todos nós que, de uma forma ou de outra, jurámos dar a vida sem pensar duas vezes. Naquela noite, pais ficaram sem o filho. Feriram-se homens, física e psicologicamente, irremediavelmente.

Os dias vão passar, tal como já se passaram meses. Existirão dias melhores, cada vez se pensará menos no que aconteceu, na imagem de um camarada abatido, sem motivos, sem explicação, sem retorno. Hoje não é um destes dias,


Obrigado TVI. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Viemos revolucionar e chocar esta aldeola.

Os nossos vizinhos passam-se da cabeça quando nos vêem a sair para o passeio em acelerado.
Hoje choquei-me a mim próprio, enquanto chocava o senhor Sportinguista (tem uns leões no muro, deduzo que seja, nunca falámos com ele sobre isso). Há aquaplaning também no ser humano. Dei um senhor tralho, com flic-flac à retaguarda mesmo em frente ao portão dele.


Não, não sei como é que sobrevivi. Ninguém sabe. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Bublé nunca cantaria uma música escrita por mim, mesmo que fosse mais perfeita que as que ele canta, já que seria inspirada em ti, em nós, mas, tendo de escolher uma entre todas, uma que caracterize várias das coisas que te quero dizer, teria de ser esta.

Nunca tinha entendido o lado não metafórico do “Quando estou contigo perco noção de tudo aquilo que me rodeia” até estar contigo. Achei sempre que era uma forma poética de dizer que só a outra pessoa interessa, nunca achei que fosse possível esquecer verdadeiramente o mundo: É e acontece-me todos os dias.

Pensei que não te merecia, mas já não penso. Mereço-te, tal como me mereces. Conheço-te como nunca conheci ninguém e pessoa alguma me conhece como tu me conheces. Não és a metade da minha laranja, pois não somos metade de coisa alguma. És o primeiro vidro e eu sou o segundo da nossa janela dupla que nos protege do exterior.

Como respondi ao homem da batina, não te amo, mas também te amo. Não se caracteriza o que sinto por ti, contigo, como o simples amor (sim, simples), mas também existe pois existe tudo, do mais simples carinho ao mais complexo grau teórico-prático de sentimento que nutrimos um pelo outro e ao qual ainda não deram sentido e\ou nome, ao qual gosto de chamar o teu nome, pois um síndrome tem sempre o nome de quem o descobriu ou de quem primeiro o sentiu\fez sentir. Não concebo “isto” sem ti, fora de ti, ou longe de ti.

Ainda bem que és minha e eu sou teu (e sim, há quem seja de alguém, sendo esse alguém seu). 

Ad astra et ultra





Tínhamos conversado acerca dos limites no blogue. Sei que achaste que não estava a ser uma conversa séria (algumas partes não foram, mas prometo não colocar aqui filmes!), mas tenciono cumprir esses limites. Não vou transformar o blogue num diário da nossa relação, embora pudesse muito bem ser um “Família Tuga Blogue”, ou um “ babies blog”…a considerar. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tenho percebido o esforço da TVI para se evidenciar no seu campo: O campo do ridículo. 

Não vou mentir e dizer que nunca vi o Big Brother ou genéricos. Já vi, já gostei de ver, considero extremamente interessante no que toca à análise de comportamento. No entanto, a selecção dos últimos tempos tem-se resumido à análise de dois requisitos: Grau de tolerância ao álcool e a Doenças Sexualmente Transmissíveis. 

Tudo excelente, cada um come o que quer, vê o que quer, incomoda como quer. Nem é isso que me incomodou mais. 

Tive a "honra" de estar a fazer o jantar (e com a TV ligada)  quando estava a passar uma novela para a juventude. 

Quem escreveu/pensou\autorizou aquilo vive em que gruta? Se não vive numa gruta, que tipo de analfabetos, mimados, complexados e fúteis conhece? 

Sou uma "miscelânea" de culturas e, ao contrário do borrego (ou dos borregos, o que é mais grave) que escreveu aquilo, nunca vi uma nortenha tão tacanha ou um ilhéu tão estranho. Considero uma falta de respeito para com as pessoas do norte (interior) aquela personagem feminina. Além de ser, aparentemente, a escrava da casa, é o arquétipo da ignorância (não da inocência, que é diferente), da tacanhice e de outras características que eu, como descendente de mulheres do norte, considero ofensivas. Se tivesse de ouvir a conversa do “passarinho” interior mais cinco minutos, sem dúvida, teria considerado o suicídio ou homicídio em massa.

Depois, considerando que a novela se destina a malta jovem, acho incrível a facilidade como se passa a ideia de que apanhar pielas é “cool”, que dormir com todas é de macho, que o dinheiro se ganha, a bem ou a mal, mas com facilidade. Algo está, definitivamente, mal na cabeça de quem autorizou\escreveu\realizou a novela, algo ficará irremediavelmente estragado na tola de quem acreditar naquilo. 

Será complicado fazer pior. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Vida de cão?

Eu cá prefiro a vida do gato.



"Queriam tirar daqui a viatura? Temos pena."

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sou um tipo ciumento

Há algum tempo, não sabendo eu precisar quando (sei exactamente o dia, a hora, o minuto e, talvez, até o segundo…sei), um sujeito com pouco amor à vida decidiu que a minha mulher estava disponível para ser abraçada por alguém que não eu, ou alguém da família\amigos. A coisa passou-se, resolveu-se misteriosamente e, sabe-se lá porquê, nunca mais foi referida… Até hoje.

Estávamos todos reunidos numa padaria perto de toda a gente (sim, eu gosto da Padaria Portuguesa), quando um jovem, mesmo novinho, esbarrou de frente com a minha perdição. Na brincadeira, um amigo meu proferiu um “E nunca mais foi visto com vida…” enquanto me apertava o trapézio.

Ri-me e olhei para a CB que, nesse momento, decidiu defender-me cegamente.

“Ele já não é assim tão ciumento. Vocês são uns exagerados. Por exemplo…:”

E começou a contar a história do colega que a tinha tentado abordar intimamente, sem poupar detalhes, finalizando com um: “O Manuel não fez nada, nem falámos mais disso.”

Ahm… Pois.


A verdade é que fiz e o senhor ficou muito bem impressionado. 

A minha mulher é uma SANTA. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sabemos que temos que utilizar a noite para dormir quando:

Estamos muito concentrados a contar flexões em voz alta e...

 “Quarenta e oito, quarenta e nove, quarenta e dez…”

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Um jantar adorável (ou: O jantar a que eu gostava de não ter ido).

O meu pai arranjou namorada. Segundo ele, é uma relação séria, que já não tem idade para andar a experimentar carrosséis. Infelizmente, já a tinha conhecido antes.

Entrei em casa do meu pai armado com o meu semblante carregado: Estava ali obrigado, não queria estar ali e não perdoaria a minha irmã por se ter baldado em cima da hora. A minha mulher, conciliadora, avançou à minha frente. Desse momento em diante, foi só descambar.

Nenhum homem adulto está preparado para imaginar a vida sexual do pai, muito menos quando não é com a mãe. Neguem as vezes que quiserem, seus aldrabões. Portanto, nada nesta vida me preparou para ver aquela mãozinha a agarrar a mão que me apertou o meu primeiro nó de gravata.

Ali estava ela, uns dois dias mais velha que eu, no seu estilo “quarentona falsa”, a cuspir idade adulta para o meu penteado despenteado à força de American Crew Pomade e eu a respirar fundo, muito fundo, para ter uma desculpa para o meu silêncio enquanto o meu pai suspirava que nem um patife acabado de descobrir a presa.

Começou a conversa de elevador e eu, no auge da certeza de que não queria estar ali, a tentar manter-me à margem e…:

“O (inserir nome do pai do Manuel) Z contou-me que vocês se conheceram na escola…”.

Atentem, eu odeio que me tratem por senhor, por você. Gosto que me tratem por tu, de igual para igual, mas neste caso específico detestei. Na ponta da língua já me estava a rolar um: “Andamos juntos na tropa?” quando a SANTA da minha mulher atalhou e confirmou, com detalhe, a veracidade da afirmação. Não me contive muito mais…:

“Por acaso, a tua cara não me é estranha, mas não eras da nossa turma… Eras de Artes?”, perguntei eu com o meu ar mais sério. 

O meu pai tossiu o meu nome, várias vezes, mas a conversa prosseguiu com uma gargalhadinha forçada. Um ponto para o Manuel e um olhar “Vai ser a tua primeira noite no sofá” da Cenoura.
Ela, com aquela camisa branca, de um tecido acetinado, com botões pretos que me apoquentavam e desconcentravam, com um ar muito sóbrio, a atirar gostos para o ar, acompanhada pelo meu pai que puxava a brasa à sardinha, como que esperando que eu reconhecesse que a namoradinha partilha gostos comigo. COMIGO!

“A J. gosta muito de Pessoa”, e eu deixei de gostar de Fernando Pessoa na hora;  “Gosta do Anthony Hopkins!” e deixou de ser um dos meus favoritos, estando a rainha também errada. “Gosta muito de filmes de suspense, policiais.”, ao que se ouviu “Agora estou numa de filmes de animação!”, o que surpreendeu a minha mulher.

Tudo se desenvolveu nesta óptica até à sobremesa.

“A J. fez bolo de bolacha, Manuel.”

Foi assim que confessei que afinal, décadas depois, nunca gostei de bolo de bolacha, nem de tarte de pastel de nata (que era a alternativa), sempre comi por obrigação.

Conclusão da noite:

O Manuel está a preparar-se para acabar a noite a ver o filme Frozen (com a promessa de que vamos ver a Revolta dos Perus ao cinema, ainda esta semana), sem comer qualquer tipo de bolo que, vingativamente, a J. insistiu que a minha mulher trouxesse, sabendo que eu ODEIO.

A minha mulher parece-me animada com a situação, ainda não é hoje que dorme sem mim.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Não joga o Matic, joga o Manel"

Assim justifico a minha falta de tempo, ultimamente.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Como já deu para perceber, retirei do blogue todos os textos escritos anteriormente. O que penso não mudou, o que sinto não mudou e, como é lógico, o que eu sou, para o bem e para o mal, persiste imutável.
Admito que me bateram as saudades, que senti falta de “despejar” meia dúzia de palavras para uma folha de word. Juntando o facto de, pela primeira vez em muito tempo, estar a passar uma noite sozinho…aconteceu.

A minha mulher disse-me para me portar bem na breve ausência:

... 


Isto não conta como infracção (mas há que desertar rapidamente, que nunca se sabe o que desenterrarei se ficar mais umas horas sozinho) .

Cá pelo meu burgo

Hoje tive a casa só para mim. Não fui trabalhar e, como ando carente de descanso, recomendaram-me que ficasse pela cama, quietinho e sem me dar a grandes esforços.
Depois de distribuir os meus amores pelos locais em que estão sem mim, voltei imediatamente para casa. Com um sorriso de orelha a orelha atirei a camisola e as calças para a cadeira enquanto mergulhava, literalmente, para baixo do edredão espectacular que comprámos no IKEA (recomendo!). Não tardou que fosse invadido pela moinha do sono.

Adormeci, e sonhava não sei precisar com quê, quando, inesperadamente, tocam à campainha. O racional que há em mim ignorou o toque justificando com o facto de ser a hora do carteiro, do padeiro, dos jeovás, e sabe-se lá mais de quem. Aconcheguei mais o edredão contra o queixo e aguardei o silêncio que não chegou.

A muito custo, saltei da cama, desci as escadas e dirigi-me para a porta da entrada, gelando completamente no caminho. Sem nenhum motivo coerente, a minha vizinha (que mal me conhece, à semelhança de todos os nossos actuais vizinhos) sentiu-se no direito de pressionar insistentemente a minha campainha. Sorri, com aquele sorriso que indica que acabei de ser acordado e que tal acto não me satisfaz, e questionei o motivo de tal chinfrineira. Ao que parece, por aqui é normal tocar à campainha das pessoas para perguntar se a TV está a funcionar.

Voltei para a cama, tornei a aconchegar o meu próprio edredão e, quase a cair no sono, fui novamente despertado, agora pelo telefone de casa. Quem me conhece, e quem tem o número cá de casa deveria conhecer, sabe que eu não atendo o telefone, dificilmente falo ao telefone  e que fico extremamente lixado por ouvir o telefone a tocar. Ignorei e voltou a tocar, e a tocar, e a tocar. O modem foi, claro está, desligado. Quem me importa, usa o telemóvel. 

Repetindo a cena do aconchego, pouco tempo volvido, torno a ser despertado pela vizinha atenciosa que, desta feita, queria informar-me de que o problema da TV não era geral, que não me preocupasse que já se tinha informado (talvez com o vizinho do lote do lado). Agradeci preciosa informação, não voltei para a cama e estou, desde então, com um adorável humor.