segunda-feira, 20 de novembro de 2017

02

Tenho, em certos momentos da minha vida, uma teoria um bocado sádica e que iliba o sujeito das responsabilidades do dia-a-dia.

Acontece-me pensar que tenho um Ser superior a comandar as minhas acções. Não um Deus, um Ser, igual a vários seres, mas que me dirige. Seria, portanto, mais ou menos como jogar SIMS, mas eu seria aquele boneco tosco e desarticulado cujo “mestre” dispõe um seguimento de “beijo-abraço-beijo-beijo-beijo apaixonado- triqui-triqui” nos dias em que se sente um elemento da sociedade, ou que me manda arremessar foguetes mesmo ao pé das estantes com os meus livros favoritos, incendiando a minha casa e todos aqueles que estão no mesmo quarteirão.

O meu mestre tem andado estranho. Não sei que se passa na vida dele, mas neste mundo ficcionado já temos médicos onde ir, será que não há análogo lá no mundo dele?


Aguardo, resignadamente, que me lance o próximo estímulo, seja ele mudar de emprego e começar a pintar gatafunhos, ou submergir numa piscina sem escadas. 

sábado, 11 de novembro de 2017

01

Há quase cinco minutos inteiros que estou a olhar para uma tela em branco, a pensar no que escrever. 
Não me apetece forçar, mas também não me apetece desistir e dar a taça à falta de criatividade.

Não sei como é que fui concebido. Nunca tive a lata de perguntar ao meu pai e, sinceramente, acho que não estou preparado para saber. Imagino ali uma luta de egos medonha, o meu pai a tentar ganhar à minha mãe numa qualquer competição, a minha mãe a tentar sobrepor-se ao meu pai e, em suma, um forrobodó épico, daqueles que originam putos marados como eu.

Tudo isto para dizer que tenho uma clara necessidade de ser o melhor em tudo nesta vida e, com é bom de ver, isso é impossível. Quando digo que algo é “impossível”, ouço a voz do velhinho a dizer “Impossível é só o que ainda está por fazer”, ou uma léria qualquer que ele me dizia enquanto eu empurrava o chão com as mãos num estado de “pré carne viva”…e baralho-me, quando me baralho já não sou o melhor no que toca à concentração e percebo que estou a deitar conversa fora.

Resumindo e baralhando, aproveitando a dócil vantagem do “sê o que quiseres, mas sê bom e feliz” do blogger, vou aparecer e deitar conversa fora com ninguém em particular, porque sim, porque posso, porque é grátis, porque me apetece e porque não posso beber gin para passar o tempo, assim bebo gin enquanto escrevo e é “intelectual”.


É isso. Passaram uns minutos valentes.