Caro paspalhão, podes simular ter todo o talento do mundo, podes envergar os fatos mais dispendiosos, conduzir os automóveis que julgas melhores, consegues ter um clube de idiotas a bajular-te, mas, juntando as peças, continuas a ser um indigente de espírito que não sabe colocar as vírgulas.
Se há criatura que não merece o respeito de outrem, é aquela que, aproveitando-se dos tristes que não conseguem captar a mensagem, utiliza a famosa técnica do “falar verdade a mentir”, sendo que a verdade não é verdade, mas é a sua verdade. Dizer o que se pensa, como se não se pensasse é, no mínimo dos mínimos, um pedido de ajuda, uma vontade imensa de ser um alvo andante.
Como já dizia o meu pai, “nos sapatos do meu velho eu sou um grande homem”. Quem nasce rico será sempre rico, a não ser que seja estúpido, mas quem nasce pobre, por muito que estude, independentemente do que estude, dificilmente vai ser mais do que um assistente, sendo que, certo e sabido, terá que começar por baixo, a atender telefonemas de pomposos filhos de uma bicha que nunca fizeram nada de especial mas que, mesmo assim, conseguiram ter tudo na vida…acham eles.
Por vezes, naqueles dias mais azedos, desejo que este país vá mesmo a baixo, sem hipótese de salvação. Que tenha de se começar do menos trinta, com complexidade, com muita dificuldade. Tenho a certeza que os muito abastados seriam muito mais afectados do que estes psicólogos, ou estes licenciados em História das Artes que, com muita decência, aproveitam qualquer trabalho digno que lhes possibilite sair das saias da mamã e dos sapatos do papá… Já que querem escrever a sua história, e não viver de direitos de autores de histórias escritas pelos progenitores.
Estes, minha grande cavalgadura, não teriam obstáculo algum em sujar as mãos, já tu…partias as unhinhas, já que também as deves ter impecavelmente limadas.
Tanta culpa tem quem escreve como quem bate palmas à porcaria escrita.



